segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Existem tantos bons escritores que nem...


Mesmo tendo tantos meios para se comunicar, cada dia que passa vale menos ler algumas toneladas de coisas que temos no Facebook, Twitter e outros.
Comunicar é algo raro. Triste? Sem dúvida. Agora, eu ainda acredito no verso “sobre todo creo que no todo está perdido” da música “Al otro lado del río” de Jorge Drexler e é por esta crença que valorizo o trabalho árduo feito por alguns que hoje cito aqui. Também deixo claro a vontade de conhecer tantos outros que sei que estão por aí.
Nesta minha coluna de hoje aqui no Texto de Garagem, eu quero deixar algumas indicações de blogs e escritores que li este ano.

Vale sempre dar uma passada no Bule e acompanhar os textos de Rogers SilvaGeraldo LimaMarcia BarbieriRicardo NovaisRodrigo Novaes de Almeida e tantos outros colaboradores que são publicados por lá.
Outro blog que você pode passar tranquilamente é o Blog do Claudio Parreira.
Tem também o Textos Imperdoáveis da Munique Alvin Duarte.
E também recomendo uma visita ao Jame Vu de Homero Gomes.
E tem o Digestivo Cultural, já conhece?

Se puderem, façam uma visita nestes lugares e tirem as suas conclusões. Vejam quanta gente boa existe por aí.


Existem tantos bons escritores que nem a vã internet pode explicar.

Manchester United!


Peçam uma cerveja, de preferência inglesa e vamos continuar a história do Manchester United.
Local: Estádio de Wembley, em Londres (Inglaterra)
Data: 28 de maio de 2011, sábado
Árbitro: Viktor Kassai (Hungria)
Assistentes: Gabor Eros e Gyorgy Ring (Os dois da Hungria)
Cartões Amarelos: Daniel Alves, Carrick, Valencia, Valdés

BARCELONA: Valdés; Daniel Alves (Puyol), Piqué, Mascherano, Abidal, ; Xavi, Busquets, Iniesta; Pedro, Messi e Villa. Técnico: Pep Guardiola
MANCHESTER UNITED: Van der Sar; Fábio (Nani), Vidic, Ferdinand e Evra; Carrick (Scholes), Park Ji-Sung, Giggs e Valencia; Rooney e Chicharito. Técnico: Alex Ferguson

Quando se olha para esta escalação do Manchester United, difícil não pensar em um clube vitorioso, rico, poderoso e que pode enfrentar qualquer equipe do futebol mundial de igual para igual.
Na primeira parte da história do United que escrevi aqui para o Pub do Futebol, comentei um pouco sobre o inicio de dificuldades que teve o Newton Heath até ser rebatizado com o nome que é respeitado em qualquer campo do mundo hoje. Hoje repetirei alguns pontos para alguns e colocarei pontos novos para outros.
Para ter todo esse respeito global, nem que eu quisesse conseguiria em poucas linhas contar toda esta brilhante história, então decidi comentar rapidamente alguns fatos importantes.


Casa

Todo grande time precisa ter seu estádio, sua casa e onde a torcida se identifique. No começo do século XX a diretoria do Manchester United
decidiu que não mais ficaria no estádio de Claytone se mudaria para um novo lugar, para isso vendeu a velha casa e comprou um terreno no Trafford Park, claro que o dinheiro conseguido
com o velho Clayton não deu para nada e se não fosse o dinheiro emregado por John Henry Davis do seu próprio bolso não daria para para fazer o melhor estádio do país. A ideia era que tivesse
100.000 lugares, mas nem o bolso de Davis aguentou. E o projeto original foi reduzido para 60.000 lugares.

19 de fevereiro de 1910 festa preparada para a inauguração de Old Trafford e o convidado Liverpool nem ligou e jogou água no chopp vencendo o jogo por 4x3 mesmo com o United ter
saido na frente.
Os Red Devils começaram a usar o Old Trafford no campeoanato apenas em Outubro do mesmo ano. O que ajudou a ter uma boa campanha naquela temporada.


Grandes jogadores


George Best, Denis Law, Bobby Charlton, Joe Spence, Ryan Giggs, Jack Silcock, Dennis Viollet, Jack Rowley, Bill Folkes, Paul Scholes, Gary Neville.
Tantos jogadores participaram da história e fizeram história pelo Manchester United como estes que citei acima. Claro que existem tantos outros.
Ryan Giggs que coloquei no meio destes craques ainda está em atividade e ele só é o jogador que mais disputou partida pela equipe com 887 partidas deixando na segunda posição nada mais nada menos que Sir Bobby Charlton com 758 jogos disputados.
Já na lista de artilheiros da equipe quem é ponteiro e ainda vai demorar um pouco para ser tirado do posto é justamente Bobby Charlton com 249 gols. Logo atrás dele com 237 está Denis Law que era seu companheiro de time. Nesta lista de artilheiros Giggs aparece com 161 gols, Rooney com 158 e Cristiano Ronaldo com 118.
George Best (Irlanda do Norte), Denis Law (Escócia) e Bobby Charlton (Inglaterra) representaram o Manchester United na década de 1960 e podemos vê-los quando formos a Old Trafford, pois lá podemos encontrar a estátua a Trindade United com eles, já que representaram 3 das 4 nações do Reino Unido.



Treinadores

Entre tantos treinadores que passaram pela equipe sem dúvida dois se destacam, são eles Matt Busby e Alex Ferguson.
Busby foi treinador de 1945 a 1969. Foi ele quem treinou a equipe com jovens jogadores que recebeu o carinhoso apelido de Busby Babes. Neste time tinha o então jovem Bobby Charlton e Duncan Edwards. Time que apesar de jovem conquistou o campeonato inglês de 55/56 e assim
assegurou uma vaga para a recém criada Liga dos Campeões. E na disputa do torneio de 1956/1957 não fizeram feio, só foram parados pelo Real Madrid de um certo Di Stéfano.
No ano seguinte estava junto com os seus jogadores quando em 6 de fevereiro sofreram o trágico acidente de Munique quando o avião que estavam voltando cai e deixa mortos 8 jogadores desta equipe brilhante, entre eles Duncan Edwards citado acima. O próprio Busby ficou muito ferido.
Ele reestruturou o United e numa nova participação na Liga dos Campeões desta vez em 1968 coquista o título europeu. Entre outras conquistas com o United estão os títulos do campeonato inglês de Campeonato Inglês de 1952, 1956, 1957, 1965, 1967 e da Copa da Inglaterra: 1948, 1963.
Alex Ferguson chega em 1986 com a missão de trabalhar uma equipe que estava abalada e sem recurso e na zona de rebaixamento. No primeiro ano estabelecendo metas consegue colocar a equipe numa zona intermediária da classificação.
Os anos seguintes também não foram fáceis, mas
aos poucos Ferguson foi implatando o seu jeito de trabalhar e permanece na equipe até hoje, completando assim em 2011 25 anos no comando da equipe.
Sob seu comando os títulos conquistados são inúmeros, inclusive a tríplice coroa de 2008.
Premier League: 993, 1994, 1996, 1997, 1999, 2000, 2001, 2003, 2007, 2008, 2009
FA CUP: 1990, 1994, 1996, 1999, 2004
Carling Cup: 1992, 2006, 2009, 2010
Liga dos Campeões: 1999, 2008
Mundial de Clubes: 1999 e 2008
Fazendo um breve resumo desde a sua fundação inúmeros momentos difíceis no final do século XIX. Na inicio do século passado veio o primeiro título.
Os anos de 20 aos 40 foram complicados em decorrência as Grandes Guerras.
Na década de 50 teve um momento sensacional com com os Busby babe e a tragédia de Munique. Na decada de 60 o título europeu.
Depois os anos 70 e 80 também muito complicado e a chegada de Alex Ferguson e com isso um novo rumo para o United.
Década de 90 cheia de títulos que vem até hoje.
Em 2011 veio o jogo com a ficha a técnica do começo do texto. O United não venceu, perdeu por 3 x 1 para o seu rival Barcelona. Pedro, Messi e Villa marcaram para o Barcelona e Rooney para os Diabos Vermelhos. Uma nova derrota para o Barcelona que já havia sido carrasco da equipe na final também da Liga dos Campeões em 2008/2009 no estádio Olímpico de Roma. Agora, uma coisa é certa enfrentou o Barcelona o então melhor time do mundo como um time grande, gigante que é.
Afinal de contas não é qualquer história. É a história da equipe que esteve em 3 das últimas 4 finais do maior torneio europeu. Independente do que aconteça é nada mais nada menos que o Manchester United.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Abutres


s.m. Ave de rapina, diurna, de cabeça e pescoço depenados e coloridos, encontrada nas montanhas do Velho Mundo, e que se nutre de cadáveres. (Certas espécies de abutre são encontráveis nos Pireneus e chegam a atingir 1,25 m de envergadura.) / Fig. Indivíduo que tira proveito da desgraça alheia. (dicionário Aurélio)




Porrada.Tensão.Ansiedade. Ruas. Sujeira. Morte.Carro. Ricardo Darín. Ricardo Darín?
Normalmente quando se escuta falar de Ricardo Darín sabemos que se trata de cinema argentino e que ele interpreta um personagem buona gente, certo?
Certo, mas não neste caso. A parceria com o diretor Pablo Trapero (diretor de Leonora) faz com que o ator argentino interprete Sosa um advogado que se dedica as vítimas de acidentes de trânsito.


Através destas marcas de sangue no asfalto que Trapero  vai nos contando o tamanho da sujeira que Sosa está envolvido. Nos apresentando em cada cena o quão complicado é para se livrar desta máfia que toma conta da sociedade carente e fragilizada que sofre com a morte trágica. Cada cena é como se o povo tomasse  uma porrada pelo descaso do Estado.

E é nesse ambiente nada propício que Luján uma médica vivida por Martina Gusman (Esposa de Trapero)  conhece Sosa e aos poucos vão se entendendo, enquanto a sujeira é jogada no ventilador.




Em uma cena lindissima em uma lanchonete de beira de estrada que Darín, coloca a cabeça para fora da lama e nos mostra o quão humano estes personagens são e que quem sabe os Abutres também amam.




Recomendo que vocês assistam este filme não só pela qualidade apresentada pelo cinema argentino nestes ultimos anos, mas por uma direção segura de Trapero, onde conduz cenas violentíssimas, mas que cabem perfeitamente no roteiro que tem a fórmula que Hollywood pede, mas com alma.  E também sem sombra de dúvidas por atuações incríveis mais uma vez de Darín e de Gusman.


Se você não viu no cinema, faça como eu compre o filme pois você não vai se arrepender.


Abutres (Carancho)
Diretor: Pablo Trapero
Elenco: Ricardo Darín, Martina Gusman, Carlos Weber, José Luis Arias, Loren Acuña, Gabriel Almirón, José Manuel Espeche
Produção: Pablo Trapero
Roteiro: Alejandro Fadel, Martín Mauregui, Santiago Mitre, Pablo Trapero
Fotografia: Julián Apezteguia
Direção de Arte: Mercedez Alfonsín
Figurino: Marisa Urruti
Edição: Pablo Trapero e Ezequiel Borovinsky
Duração: 107 min.
Ano: 2010
País: Argentina / Chile / França / Coreia do Sul
Gênero: Drama
Cor: Colorido
Distribuidora: Paris Filmes
Estúdio: Fine Cut / L90 Producciones / Matanza Cine / Patagonik Film Group
Classificação: 14 anos



Ficha técnica e fotos: Adoro Cinema

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Newton Heath!

Peça uma cerveja e vamos conversar um pouco sobre futebol.

Hoje gostaria de falar um pouco sobre o Newton Heath Cricket & Club Football que pouco tempo depois se tornou Newton Heath. Como todo começo de um clube de futebol foi díficil principalmente porque o futebol ainda estava muito longe ser um esporte popular como ele é hoje.Em 1878 data de fundação deste clube, como no nome do clube dizia, primeiro vinha o cricket.


Por essas e outras, tinha que se trocar em Pub, andar cerca de um kilômetro para chegar no campo do jogo. O primeiro uniforme era verde e amarelo.

E não era uma homenagem a seleção brasileira, já que o futebol ainda estava longe do Brasil. Era sim uma homenagem as cores da fabrica que representavam Lancashire e Yorkshire Railway, posto que disputavam jogos c
ontra outras equipes de outros departamentos e fabricas vizinhas.
Aos poucos as coisas foram melhorando e o futebol começou a tomar ares mais profissionais quando F Attock assumiu o clube como primeiro presidente e procurou agregar ao elenco alguns bons jogadores na época. Esta iniciativa foi um passo para disputar o primeiro campeonato, a Copa Lancashire temporada 1883/1884.
Com uma base e um apoio os jogadores partiram para disputa. O triste foi que o time não passou da primeira fase, sendo eliminado logo de cara para o Blackburn Olimpic que havia vencido a FA Cup.
Um pouco mais para frente mesmo com todas as dificuldades de um clube jovem, em um esporte também ainda jovem. Conseguiu disputar a Manchester Cup, que venceu algumas vezes e pleiteou assim a participação a Football League que foi negada.
No ano de 1891 com interesse cada vez maior em disputar o campeonato organizado pela Football League, começou a investir em seu primeiro estádio o North Road, construindo uma arquibacanda para 2000 torcedores.
Um pouco depois do investimento a Football League anunciou a criação da Segunda Divisão da sua liga e as mudanças no clube se tornaram inevitáveis em nome de um sonho de se tornar grande, e uma das decisões tomadas foi se desvencilhar da Lancashire e Yorkshire Railway. Com esta separação surgiu o Newton Heath FC.
O anos seguintes continuaram duros, difíceis, ainda mais pela falta de recursos para manter o estádio e as viagens do time. Aconteceu a estréia na Liga e com ela a primeira derrota para o Blackburn Rovers. Mesmo sem muita regularidade a equipe foi se mantendo na Liga.
Em 1893 a equipe por questões contratuais perdeu o seu estádio e teve que mudar a sua casa para Clayton, mais precisamente para a Bank Street, a equipe Verde-Ouro continuou se mantendo aos trancos e barrancos pela dificuldade financeira até cair para a segunda divisão.
Tempo complicado que fizeram novas mudanças acontecerem, mudanças que permanecem até hoje. No ano de 1902 a equipe passou a ter um uniforme com camisas vermelhas abandonando assim o verde-ouro, marca da equipe. Também foram rebatizados como Manchester United!

Continua...

Fontes de pesquisa.
Os excelentes:
e o Site oficial: http://www.manutd.com/


domingo, 13 de novembro de 2011

A Consulta





Ele queria mudar de vida e nada como uma segunda feira para começar as novas mudanças.

No fim de semana nenhum cigarro. Recorde. Lembrou do gosto do alface e até arriscou a fazer um arroz. Se sentia bem.

Na sexta tomou o último café, ali naquela vendinha perto do ponto. Sentiu um pouco de dor de canto quando andava. Corria. Depois que saiu da consulta.
Na consulta... isso fica para depois.
Antes de chegar para a tal consulta, encontrou com a Mariana. Estava linda, mais até que na época do colégio. Quase que ela não o reconheceu. Estragou um pouco o reencontro, é claro. Mas, simpatia nele não faltava. Ela até disse que o adicionaria no facebook. Lucro.
Em casa enquanto se trocava, via a tv aquelas notícias da manhã. Policia no morro daqui, corrupção dali, Corinthians líder. Político com slogans novos e blá blá blá.
Ao se levantar da cama acendeu o cigarro. Ligou o computador. Sim, PC. Olhou o e-mail, lembrou da consulta e tomou um café.

A consulta, deixava ele nervoso. Ainda teve que esperar. Na “sala de espera” com a cortina branca na janela e parede pintada de vermelho, o que dava um clima estranho e abafado, ainda mais com toda aquela fumaça de vela e de cigarro de palha. Ao lado dele um velha, pelo menos foi o que ele pensou, já que a mulher parecia ter uns cento e cinquenta anos. Tentou puxar conversa, perguntou se a criança que ela carregava era seu neto. Seca, disse - tatara. E foi só.
Chamaram ele pelo nome. Levantou e foi.
A benzedeira, parecia até mais velha que a outra, tinha até pouco cabelo.
Perguntou como estava a sua vó. Disse que morreu. Depois perguntou da mãe. Disse que morreu. Se ele tinha filhos. Riu e balançou a cabeça nem que sim nem que não.
A benzedeira desembestou a rezar. Daí ele se lembrou porque não tinha voltado ali desde criança. Era a vontade de rir nessas horas que o tinha impedido.
Ela parou de rezar. Olhou bem sério nos olhos dele e disse:
...
Ele então, finalmente decidiu mudar de vida.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Karliana - Um pequeno folhetim - Capítulo Final



Da onírica realidade ás lágrimas de chuva.



- Tenho que informar uma coisa crianças, o gatinho não vai ficar bom, ele está morrendo e provavelmente morrerá hoje, isso depois de viver comigo por muitos e muitos anos.
- Mas ele não pode morrer! É só ele tomar um remédio que ele fica bom... – disse a menina.
- Quisera eu que fosse assim, mas dessa vez infelizmente não será. Existem momentos que se deve enfrentar as dificuldades em nossas vidas, e a morte, a perda de quem gostamos muito, de quem amamos, faz parte deste aprendizado. O importante é como sobrevivemos a essas perdas.
- A senhora está assustando a gente. - disse a menina começando a chorar.
- Desculpe pequena, não quero assustar vocês, me desculpe. Só não quero que vocês pensem que o gatinho ficará bem, já que ele não vai ficar. Enfrentar a realidade...
- E se eu der as minhas formigas mágicas para o gatinho? Será que ele vai ficar bem? – Perguntou o menino.
- Você é muito esperto, realmente bondoso meu querido, tem a pureza e a simplicidade, que não deveríamos perder. Agora, é isso que você quer fazer? Você quer ficar sem as suas formigas mágicas para salvar a vida de um gatinho?
- Se isso for ajudar, eu quero! Não digo que não ficarei triste, mas eu quero tentar, eu ainda terei tempo na minha vida para encontrar outras coisas mágicas.
De repente, Gatoso dá um grande suspiro e aperta forte seus olhos e os abre novamente. O garoto abre o pote e as formigas começam a sair. Gatoso olha para todos, como se gastasse as últimas energias estica as patinhas, segura as almofada em sua pequena boca e afofa a almofada que ele dormiu a vida inteira, se aninha, olha mais uma vez para a senhora, abaixa a cabeça em cima das suas patinhas e fecha os olhos uma última vez, no momento que as formigas chegam em seu focinho.
O silêncio só é quebrado pelas tentativas de conter o choro da menina.
A senhora vai até o gato e tenta acordá-lo, sem resultado. Pega-o no colo mesmo com algumas formigas andando sobre ele. Aperta o seu amigo em seu o peito e com um olhar triste se volta para as crianças.
A garota chora, o pequeno não entende.
A mulher com cuidado coloca Gatoso em sua almofada, abraça as crianças e diz:
- Sintam, vivam e encarem de maneira positiva as perdas, chorem o quanto precisarem, mas façam disso algo positivo, um aprendizado na vida de vocês, cuidem-se. Quanto a você meu pequeno herói, saiba que você fez uma coisa linda hoje, dando as suas formigas ao Gatoso.
- Mas, não adiantou...
- Uma atitude tem impacto em mais coisas do que podemos imaginar, ainda mais quando fazemos com fé, e quando se acredita que fizemos a coisa que era necessária.
Agora vocês precisam ir embora. Mas, saibam, que o que aconteceu aqui hoje daqui um tempo será  apenas uma memória. Uma memória parecida com um sonho, daqueles difícil de se lembrar.
O menino dá um abraço e um beijo na senhora, pega sua amiga que chora sem parar e saem da casa.


Quando eles já estavam um pouco a frente no caminho de volta na trilha dos antepassados, o garota segura com mais força a mão do seu amigo, olha para trás, manda um beijo para senhora que os observava quase fechando a porta com um sorriso no rosto.


Depois que eles sumiram no horizonte, ela fechou a porta, olhou para sua casa, viu as formigas mágicas carregando o seu amigo Gatoso, que ela viu morrer 7 vezes, sendo que algumas foram em suas mãos para tentar chorar, tentativas em vão.
Foi até sua cama sentou, lembrou das crianças que sempre quis ter como amigos desde pequena e sentiu seu corpo se inundar de uma felicidade. No começo ficou assustada, a respiração acelerou, olhou novamente para o seu gatinho e o viu sendo carregado pelas formigas, e atrás um cortejo feito por suas velhas amigas joaninhas, algumas desviaram o caminho em sua direção. Quando se deu conta, ela já estava deitada em sua cama, uma das joaninhas subiu no seu rosto e foi como se as duas se encarassem, foi assim que a senhora que se chamou Karliana percebeu que elas vieram buscá- la. Sorriu. E quando a felicidade foi plena, soltou a sua primeira e única lágrima na vida, e morreu, feliz por ter sentido que amou intensamente coisas boas e nunca deixou de acreditar.


Na trilha , começa chover, a menina começa a correr. O menino para, levanta o rosto, deixa a chuva bater e no que seria um grito de felicidade vem um sorriso de satisfação e um olhar de quem acredita.




Naquele dia choveu e choveu na vila.


Fim

domingo, 9 de outubro de 2011

Karliana - Um pequeno folhetim - Capítulo 3

Da cruel realidade às lágrimas secas.




Gatoso estava olhando pela janela observando sua amiga quase que com um sorriso no rosto, aquele sorriso que só os gatos podem dar. Só que não demorou muito e o sorriso foi desaparecendo e ele se agitou, ficou cada vez mais arisco, a medida em que um grupo de garotos se aproximava dela.


- Olhem! Lá vai a menina das joaninhas mágicas, peguem ela! Onde você está indo garota-joaninha?
- Eu não sou a garota joaninha, apenas respeito e cuido delas.
- Garota-joaninha! Garota-joaninha! Garota-joaninha! - cantavam todos
- Me diz uma coisa, se elas são mágicas você não precisa cuidar delas, ninguém vai fazer nenhum tipo de mal pra elas, elas sabem se cuidar.
- Acho que você não entende, independentemente de serem mágicas, elas precisam de mim.
- Não, elas não precisam de você. Elas pertencem à natureza.
- Eu sei, é justamente por isso que eu preciso proteger.
- Você não entendeu, né? Elas não são mágicas. São só joaninhas e se elas morrerem é porque elas precisavam morrer. Quer saber, elas sabem se cuidar sozinhas, me dê esse pote!
- Não. Você não entende, eu não posso deixar você fazer mal pra elas.
- Ah não...
- Por que é tão dificil você acreditar? Você não precisa fazer isso, só pra mostrar que você é bom para os seus amigos idiotas.
Escuta-se uma risada.
- Agora você passou dos limites!
- É só a verdade...
- Não zoe comigo e saia daqui. – Tomando o pote da mão dela.
- Por favor não faça isso!
- Agora você vai ver se essas joaninhas são mágicas, porque se são mágicas elas vão escapar do rio – Abrindo o pote para jogá-las no rio.
- Não! - correndo na direção do garoto.
- Nadem joaninhas! Nadem joaninhas! - soltando uma gargalhada.
Uma joaninha pulou e caiu no ombro da menina e a olhou até ser jogada longe por outro menino.
- Não pense que estamos lhe fazendo mal garota, estamos te ajudando a crescer e esquecer essa babaquice de joaninhas mágicas. Você viu que de mágica elas não tinham nada, senão teriam feito alguma coisa. Mágica não existe!
Chorando a menina grita para ela mesma:
- A mágica não está só em fazer coisas e sim em respeitar, dividir, pois só assim se pode sentir, acreditar.
- Pare de chorar e resmungar! Agora você vai encarar o mundo de outra forma, da maneira que ele é. Sem magia!

Continua

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Karliana - Um pequeno folhetim - Capítulo 2


Das perdas, crenças e certezas






Numa manhã alguns bons anos atrás


- Gatoso, você sabe como você é importante pra mim, não sabe? De todas as coisas que faço todos os dias não tem uma que eu não pense em você, a não ser estudar que a mamãe me pediu para me concentrar nos estudos, que é uma coisa muito importante. Você é o meu melhor amigo, por isso que eu te amo tanto. – abraçando o gatinho.
- Filha! Estamos todos prontos, vamos? Temos que dar o nosso último adeus para a vovó...
- Ai eu não quero ver a vovó, ela não está mais por aqui é agora apenas um corpo frio... Eu preciso ser forte pela mamãe... Quem vai me ajudar a ser forte? Gatoso, se esfrega insistentemente nas pernas da menina.
- Darei o seu beijo na vovó, mesmo sabendo que ela não vai entender e nem sentir...e obrigado por sempre estar comigo.
- Mãe, porque você está chorando tanto?
- Nunca mais falarei com a minha mãe...nunca mais ninguém vai me entender só de olhar e me ensinar a acreditar como ela fez comigo...Agora tenho que fazer o que ela ensinou para que ela continue viva...
- Me dá um abraço. -  disse a filha sem derramar uma lágrima e levantando, se aninhando no meio dos braços da mãe.


De volta a trilha com a senhora acariciando o triste gatinho:
- Era melhor se não percebessemos depois de tantos anos a falta que as pessoas que amamos fazem e que não soubessemos que a maior certeza que temos na vida é que ninguém é eterno mesmo aqueles que tem 7 vidas...- disse a mulher numa voz muito baixa quase que pensando apenas.
- Senhora, não entendi – disse a menina
- Desculpe querida.
- Não fique triste!
- Eu sei meu anjo, não é tristeza, o problema são a s certezas que não podemos remediar.
- Cuidaremos do gato e ele vai melhorar.
- O que você tem nessa mochila, menino?
- Minha coleção de formigas mágicas.
- Nossa! Isso sim é algo bom para conversarmos, o que elas fazem?
- Eu já disse elas são mágicas....
- Isso a senhora escutou, ela quer saber o que elas fazem, seja educado.
Colocando a mão na frente da boca e falando baixinho:
- Se eu soubesse não seria mágica, não é?


Continua ...

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Karliana - Um pequeno folhetim - Capítulo 1

Da trilha das formigas na estrada dos antepassados




Era uma vez um dia quente, bem quente, para dizer a verdade alguns galhos à margem do rio já estavam bem secos. Pois não chovia na região há muitos anos para desespero dos adultos, mas... o mais incrível é que as crianças sempre encontram as mais malucas e diversas funções para pedaços de madeira, pedras e pequenas coisinhas encontradas num caminho.

Naquela manhã não foi diferente, uma pequena menininha com um vestido florido, estava passando pela trilha criada há séculos por seus antepassados, caçando o que fazer e encontrou perto do poço da cidade... o mesmo poço em que todos os cidadãos vinham buscar água para as suas mais variadas tarefas....o que ela encontrou e observou era um pequeno caminho de formigas. Primeiro ela observou de longe, depois foi se aproximando e então decidiu interferir no caminho, quando:

- Não! - Sussurrou uma voz vindo de uma grande jabuticabeira.

Era a voz de um menino sem camisa que estava escondido atrás de uma roda de madeira, a menininha recuou, pediu desculpas e perguntou o que ele estava fazendo. Depois que explicou que ele tinha preparado uma armadilha muito bem feita para colocar essas formigas dentro de um pote, eles se tornaram grandes amigos e decidiram andar juntos até o fim da trilha dos antepassados. 

No final desta trilha encontraram um gato deitado. Na verdade, parecia estar doente em frente a uma porta velha. Chamaram o bicho:

- Pis pis pis pis. 

Primeiro ele e depois ela, e nada adiantou. Então puxaram o tapete e o gato não se mexeu. O gato não reagiu a nada, até o momento que colocaram as mãozinhas em seu pelo branco e limpo e perceberam que ele estava vivo e que talvez precisasse de ajuda o quanto antes. Por algum motivo eles souberam que não daria tempo para levar o gato para casa deles lá na vila, do mesmo jeito que sabiam que era errado importunar a pessoa estranha que morava naquela casa.

Eles se olharam por menos tempo que uma fração de segundo e sem perceber, nem escutar, a porta já estava aberta e no espaço que ela ocupava, estava em pé uma mulher vestida com uma túnica azul bebê e uma espécie de saia-calça branca. Ao mesmo tempo em que seu cabelo era curto e branco, tinha um aspecto mais jovial ainda com um olhar doce, que foi interrompido:

- O gato está doente senhora...digo moça. - disse nervoso o garoto.
- Calma! Olá, bom dia, estávamos caminhando e sem querer acabamos chegando aqui na sua
porta. - complementou a garota.
- E encontraram o gato? - respondeu a mulher.
- Ele vai morrer se não cuidarmos dele. - retrucou a garota
- Claro que vai morrer e esta é a ultima vez. - disse a mulher pegando o gato que já pulava para o seu colo.
- Última? - estranhou a menina.
- Sim. - Disse a mulher com um olhar de certeza, acariciando o triste gatinho.

Continua ...

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Visite a nossa sala de projeção









Sempre que eu entro em uma sala de cinema sigo alguns rituais: primeiro, olho ao espacinho que leva à sala de projeção; depois, procuro um bom lugar para sentar e, acomodado, espreguiço-me algumas vezes para me esticar um pouco (contudo, isso de nada adianta, já que no meio do filme já estou todo torto na cadeira). Ainda depois, dou uma olhada nas pessoas e torço para ninguém ficar falando no meio do filme. E, claro, faço o que já comentei n'O Número 8: sempre dou uma olhadinha nos rostos das pessoas no meio do filme. Muito bacana ver as reações.


Quero voltar em um ponto citado acima, sobre olhar ao espacinho que leva à sala de projeção. Sempre tive vontade de ficar lá, um dia, vendo como as coisas funcionam, mas nunca encontrei nenhuma plaquinha dizendo: “Visite nossa sala de projeção”.


Deve ser por isso que eu gosto tanto do Totó, um garotinho sensacional que teve um amigo fantástico chamado Alfredo. Explico:


Cinema Paradiso é o lugar onde os moradores da cidade de Giancaldo vão para se divertir, seja lá o que cada um tem por diversão. É um lugar onde, apesar das diferenças, todos se reúnem. Totó é um destes moradores levados pelo encanto do cinema, entre aqueles que nem piscam os olhos quando o filme está passando. Já Alfredo, o projecionista, está ao lado do povo: é um cara que a cidade inteira adora. Graças a essa relação, cria uma amizade incrível com Totó, que, o tempo todo, quer estar ao seu lado, na sala de projeção


A amizade só cresce. Acompanhamos o garotinho que se torna adulto, que se apaixona e aprende não só sobre cinema, mas sobre o amor e a vida, com histórias e os melhores conselhos de seu amigo – o melhor amigo. Totó não seria Salvatore não fosse a relação de amizade com Alfredo.


A tudo isso, acrescente uma trilha sonora absolutamente espetacular de Ennio Morricone e a toada tão característica de Giuseppe Tornatore e suas belas imagens, em um ambiente simples e tão sincero: a Itália do pós-guerra, em uma fase anterior à da televisão.


Vale comentar também uma das vezes que Totó, ainda garotinho, está com Alfredo na sala de projeção. Ao meu ver, uma das cenas mais lindas do filme e do cinema. É o momento em que algumas pessoas não conseguem entrar para ver o filme. Gritam na praça e pedem pela ajuda do projecionista. A cena é espetacular como o próprio filme. Quem já viu sabe, quem não viu deveria assistir. E, se quiser, volte para me contar o que achou. O filme de Tornatore é uma declaração de amor à vida e ao cinema.


Por isso, quando entro em uma sala de cinema, procuro pelo espacinho que leva à sala de projeção. Busco, assim, a escultura de leão do Cinema Paradiso.



Bons filmes!



Cinema Paradiso (Nuovo Cinema Paradiso) 1988
Direção Giuseppe Tornatore
Roteiro Giuseppe Tornatore e Vanna Paoli
Elenco:Philipp Noiret, Enzo Cannavale, Antonella Attili e Marco Leonardi
Musica: Ennio Morricone


domingo, 4 de setembro de 2011

Ai essas duas...



Não sei se você já teve esta dúvida em algum momento, apresentarei os motivos:

Ela é assim meio indie, meio tradicional, meio louca, ela é tão ela...
Ela também é tão ela, só que mais séria, um pouco mais tradicional, mas não menos louca...

A primeira já me mostrou coisas antigas, me contou histórias incríveis e me mostrou filmes fantásticos...
A segunda eu tive inúmeras conversas, falamos de teatro e de viagens, de possibilidades...

Com a primeira eu vivo o momento, tomo cerveja, danço black music, com a segunda curto Bossa Nova e até fico com vontade de tomar uísque, as vezes fico sem vontade...

Uma vejo mais durante o dia, a outra mais de noite, é meio aquela coisa do Feitiço de Áquila...

O problema são as madrugadas, que as duas mostram todos encantos, todos os carinhos, todos os gostos, todas as músicas nas mais diversas línguas e que admito as duas são mais que fluentes.

O fato é que confesso que não sei quem escolher se é a Augusta ou a Paulista, por isso todo dia que fico nessa esquina seja dia, ou madrugada, eu reverencio e me sinto muito bem, que me perdoe Caetano esta é a esquina que mais gosto. E como bom paulistano vou me dividir e ter um caso de amor com as duas.



domingo, 28 de agosto de 2011

Mulheres sem medo



Ela acordou bem, tinha mais um dia pela frente. Um banho para animar. Um bom café da manhã. Lá fora o típico calor do inverno paulistano. Uma regata para sair. Não. Sim. Espelho. No fim a mesma regata. A saia preferida. O cabelo ainda molhado do banho. Um batom para dar uma corzinha no rosto. Uma última mordida na torrada, uma última golada no café. Uma caneca com marca de batom. Uma última olhada no espelho. Fones para escutar música nas mãos e sai. Volta, pega os óculos e finalmente vai de vez.
Dia lindo.
Ponto de ônibus lotado. Não desanima. Desdenha, é rotina. Coloca os óculos.
Curte a música dentro do ônibus. Vaga um lugar, senta. Um homem senta do lado, digo se esparrama no lugar com as pernas abertas. Ela jurou não se estressar, levanta-se para não se injuriar. Não olha para trás para evitar xingar. A música está boa e tem o cara de camiseta branca. Tinha. Ele desce. Pena.
Chega a estação de metrô. Vai com a muvuca catraca a dentro. Passa o primeiro trem. O segundo, quem sabe consegue entrar no próximo. Um empurrão aqui, outro ali, sem problemas. Lembra que jurou não se estressar.
Entra no vagão. Cotovelos, cabelos, bolsas, livros, revistas, música alta, nenhuma novidade. Lembra é a rotina,
Que acaba em um segundo, quando alguém segura o seu braço, tira a música arrancando o fone e diz que se ela fizer alguma coisa ou esboçar gritar que machucará o seu rosto. A saia preferida é invadida, o corpo ultrajado, violentado, não consegue fazer nada, está paralisada. Evita olhar, mas não consegue evitar de sentir. Enjoo. Ninguém faz nada, a próxima estação não chega nunca, alguém percebe e traz com a tentativa de ajuda a vergonha para o pensamento dela, o homem deixa a saia levantada e o vagão. Foge.
Ela arruma a saia e se vê rodeada pela vergonha, o medo e tudo e todo turbilhão de pensamentos e não olha para o rosto de quem a ajuda.
O nojo explode junto com o choro de pânico e o vômito como se quisesse se livrar de toda a invasão sofrida.
Não foi a primeira, nem última.Será esquecida, mas nunca se esquecerá. Desconfiará de cada olhar que receber, mesmo que seja do cara de camiseta branca.

domingo, 21 de agosto de 2011

Should I stay or should I go now?



Não há folgas, o trabalho para quem é honesto é constante.
O ritmo é cansativo, mas o trabalho te recompensa.
Você ganha um salário no final do mês. Você paga as suas contas. Você se dá o direito em se divertir com sua família ou com amigos. Você decide ir a um restaurante, afinal de contas, é direito de todo cidadão se divertir.
Você escolhe aquele restaurante próximo a sua casa, para não ser tão perigoso o retorno e você decide ir cedo. Seus amigos concordam. A noite é tranquila, agradável, a cerveja ótima, as porções nem se fala.
Então o seu amigo te mostra que finalmente depois de tanto economizar ele conseguiu comprar aquele tablet. Depois vocês falam sobre futebol e algumas coisas corriqueiras. Isso leva mais ou menos quarenta minutos do encontro, depois a coisa toda muda.
Se fala de prefeito, de meninas que roubam lojas, de atropelamentos, de inúmeras outras coisas e alguém comenta que quer muito passar um tempo fora de São Paulo, fora do Brasil.
Este alguém não aguenta mais ficar aqui e conviver, sobreviver com o estresse que São Paulo lhe causa e quando ele iria falar para onde pretende ir....
Três ou quatro homens armados entram e começam a roubar os clientes.Levam tudo que podem, jóias, celulares, medos, sonhos, raivas e tablets.
A ação é rápida bem mais rápida que um mês ou anos de trabalho suado, o arrastão é feito em cerca de três minutos.
Passado o susto e depois de perceberem que ainda estão vivos e supostamente bem e de que não foi a primeira e nem será a última vez que este tipo de coisa vai acontecer, o que fica na mesa é a tristeza por tanto gostar de São Paulo e a dúvida se se deve ficar na cidade por isso e outros issos ou ir para longe?

*Should I stay or should I go now?
If I go there will be trouble.
An” if I stay it will be double.


*Versos da música "Should I stay or should I go ?" do The Clash

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Existem coisas que só Lars von Trier faz por você!


melancolia (me-lan-co-li-a)

s. f.
Tristeza vaga, indefinida: atingiu-o a melancolia da tarde.
Estado de depressão intensa, traduzindo sentimento de dor moral e caracterizado pela inibição das funções motoras e psicomotoras.





Polêmico, persona non grata, pessimista e inúmeros adjetivos pejorativos são associados a ele. Se ele os merece? Talvez. Muitos dos que conhecemos também são intragáveis. Nós mesmos temos dias que olha...dias que é melhor ficar longe das pessoas.

Agora se cinema são imagens, Lars Von Trier é gênio.

Se cinema são imagens, o prólogo de Melancolia, novo filme do diretor dinamarquês, só confirma a sua qualidade, é Estupendo.



O filme tem um roteiro excelente aliado a uma ótima escolha narrativa que me fez pensar: Um bom filme é aquele que te prende por não saber o que vai acontecer ou que prende justamente por você já saber?

Como é comum nos filmes que assisti deste cineasta, ele é direto e faz com que se reflita e muito sobre o que ele se propôs a mostrar e contar da sua maneira peculiar.

Neste novo filme o diretor nos joga na cara a melancolia seja ela no mais profundo de cada indivíduo ou na forma de um imenso planeta que pode colidir com a Terra.

O filme como já é característico de von Trier é dividido em duas partes.Na primeira acompanhamos o olhar de Justine(Kirsten Dunst) em meio a sua festa de casamento, seus sofrimentos e confusões. Na segunda chamada de Claire (Charlotte Gainsbourg) é onde conhecemos uma personagem preocupada com a irmã (Justine) e com uma segurança instável embasada no apoio do marido John (Kiefer Sutherland).

A escolha em nos mostrar esta aflição, esta angústia toda é através de uma família, mais focado no olhar das duas irmãs, isso faz com que mergulhemos nas personagens e como elas se relacionam entre si e com o mundo que vivem.



Aos poucos entendemos como elas lidam com suas crenças, dúvidas, instabilidades, com o  medo que "seus mundos" repleto de melancolia e com tamanha proximidade desmoronem, tal como acontece com o planeta Terra, vendo a aproximação do gigante Melancholia para destruir tudo que se conhece por vida.

Interpretações fortes que vale destacar as participações de John Hurt e Charlotte Rampling respectivamente com pai e mãe, imagens fantásticas e direção certeira são marcas deste grande filme. 

Se você gosta de cinema tem que assistir, é excelente.

Agora advirto, não vá assistir se for o primeiro encontro nem o terceiro encontro com alguém. Aviso também aos mais desavisados que: Existem coisas que só Lars von Trier e a baixa serotonina dão para você.





Título original: Melancholia
Ano: 2011 (Dinamarca, França, Alemanha, Itália, Suécia)
Direção: Lars von Trier
Elenco: Kirsten Dunst, Charlotte Gainsbourg, Kiefer Sutherland, John Hurt, Charlotte Rampling.
Gênero: Ficção Científica
Duração: 130 min



*Definição de melancolia dicionário web

domingo, 7 de agosto de 2011

É muita...


É muita ...

Muitos por escolha e a maioria por falta de opção precisam utilizar do transporte público em suas cidades. Eu por exemplo, utilizo do transporte público da cidade com custo de vida mais caro da America Latina. Nesta minha cidade, o valor da passagem do ônibus é R$3. E ai de quem reclamar, neste preço, já vem embutido, ônibos lotado (Como falei na coluna Lei da Física, neste mesmo blog), cobrador que dorme, pessoas mal-educadas, estressadas, bandidos, chicletes nos bancos já quebrados, pichações, abuso e falta de respeito com as mulheres, restos de comida, que colaboram e muito para o que vem subindo neste ranking, que são as baratas, isso, aquelas baratinhas pequenininhas que correm de uma lado para outro na borracha do vidro, no chão do ônibus e até mesmo no painel que acende indicando que alguém descerá na próxima parada. Com tanta coisa embutida neste valor da passagem eu vou reclamar? Não, claro que não, até diversão eu tenho, pago o ônibus e tenho o circo das baratas para me divertir.

É muita...

Sabe outra coisa que não pode mais acontecer por aqui? Não se pode abraçar um amigo. Não pode, deixa eu te contar se você fizer isso você é homossexual. Eu, com certeza sou julgado, pois costumo e continuarei a cumprimentar meus amigos com um abraço e um beijo no rosto. 
Agora devido as circunstâncias do momento, como paulistano que sou gostaria de dizer aos desavisados que não conhecem a cidade mais uma coisa, domingo que vem é dia dos pais, então por favor, se você estiver por aqui e vai almoçar com o seu pai, não o abrace no restaurante ou em qualquer lugar público, não faça isso, se o fizer e deve fazer, o faça com precaução, faça em local seguro e cercado de quem você conhece. Estou exagerando? Veja isso.
Também peço que você observe bem se não tem nenhum daqueles vereadores (Cruzados dos bons modos) da Câmara de São Paulo que votaram pelo Dia do Orgulho Hétero por perto.

Você precisa concordar comigo:

É muita... é muita... coisa errada para uma cidade só.