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terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Sonho fotografado.

Costumava ler contos de garotas, mulheres fotografadas.

Agora pelos 40 mudei de leitura.
Busquei algo mais incompreensível, Contos de sonhos fotografados.
E neles pude ver a poeira. E sonhos são assim feito de poeiras. De pedras que se colocam por cima.
Mas sempre existem placas tectônicas, coração tectônico que pulsa e chacoalha a pedra, pedras e mandam a poeira para o espaço.
Que fazem você olhar pra cima. E a poeira está em casa. Se junta com outra poeira de estrelas e viajam Ali pra cima e encontram pedras.
Rocha que voa. Rochas que voam. Junto com o olhar.
E sonham.
E num segundo como num teletransporte aparece como se fosse em outro tempo.
Num cotidiano frenético.
Te olha de longe como querendo te mostrar que estão meio que numa onda gravitacional e que sempre estarão no mesmo universo em movimento.
Que te puxa pra perto num baile que nós podemos entender.
Num olhar que muda de cor no café da manhã como se tivesse uma galáxia de sonhos dentro dele.
Que me aconselha a me embrenhar num mundo desconhecido para melhor me conhecer e me deixar tão perto.
Ao mesmo tempo me chama pra pegar aquele bicho que voa.
Mais quântico que isso impossível.
Que prefere um mundo sem maquiagem mas com carros que voam assim como seus sonhos por um espaço infinito de descobertas
Que vão voando Ali com poeira de estrelas, com as Rochas, com pensamentos, com paixão, com o mesmo brilho que tanto amo.
Que me mostra um universo imenso, misterioso assim como quando nos conhecemos.
Certa vez, Li, um conto...um sonho fotografado.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Ouro Negro




A Arte é viva e se mistura. Uma parceria urbana. 


Acho de extrema importância que as várias expressões artísticas se conversem. Ainda mais quando o assunto é o nosso mundo, a nossa cidade. 
Um bate-papo propiciou uma parceria urbana que muito me agradou. 
Com a junção do talento de William Mophos e algumas palavras minhas nasceu o trabalho que vocês podem conferir abaixo: 


Quadro de William Mophos




Ouro Negro

"A ganância vibra, a vaidade excita..."

Criolo



Red, Black, Blue, Golden Label todos em cima da mesa, pessoas no chão, jogadas a volúpia que o dinheiro traz. Era festa, uma fusão bilionária, tinha que ser comemorada no melhor motel da cidade.

Peitos ao leo, ao Leo, Dinho, Richard, Manuel, Amamoto, Al Sid, El... era uma festa globalizada.
Nada de Whisky caubói, eram gelos para todos os lados, como na geleira que encontraram o ouro negro, tudo era ouro negro, era tudo que importava...

Aquecimento global, vilas, cidades inundadas...pouco interessava,,, Dow Jones em alta, festa na certa. Ferraris, mansões, piscinas aquecidas, cachoeiras artificiais, diamantes, os maiores da Africa, em troca de uma noitada de sexo.

A sigla da nova empresa era gigante e o mundo pequeno para se gastar tanta ganância.

Mundo este também com uma validade já quase expirada, quase respirando por aparelho, como se os seus pulmões estivessem cheios de fumaça de refinarias.

A festa acaba, a ressaca levanta com os sócios da mais nova maior petrolífera do mundo. O trânsito em SP não anda, eles riem, também pudera, destes sócios o que importa é dinheiro, porque deles, nenhum, ninguém vai pro céu.


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Um sem rosto



O dia foi quente para aquecer a noite, assim era bom porque não precisava buscar algo para se cobrir, era encostar em qualquer canto e dormir. Era o que pensava  enquanto comia uma quentinha, que já estava quase geladinha. Pouco importava, a fome, não se preocupa com isso.

Ofereceu um pouco ao cachorro novo da praça, fizeram amizade, outros ficaram com ciúmes, mas logo abanaram o rabo como se diziam bem-vindo.

Ele adorava, quando dava seis horas, o ponto em frente a praça ficava cheio de pessoas, mesmo cansadas de tanto trabalhar, estavam cheias de vida e de vontade de chegar em casa. Com fome, pessoas com fome e vontade os olhos brilham mais. Pensava ele.

Se perdeu de tanto olhar e perdeu a comida, os seus amigos comeram, ameaçou gritar, xingar, bater, mas não. Riu. Fazer o quê? A fome é para todos e os olhos deles estavam brilhando.

Levantou, arrumou a calça, tinha sede, alguém largou no banco ali do lado uma latinha de refrigerante. Bebeu. Arrotou, afinal de contas isso é saudável, pensava.

Pegou uma bituca de cigarro no chão e tragou e tragou e tragou, já tinha apagado, aumentou a vontade. Foi para o ponto e bituca por bituca montou um maço inteiro e com variedade, Marlboro, Derby, Camel, paraguaio...

Voltou para praça e deitou para aproveitar um pouco da sua casa, como se tivesse pitando como seu avô. Aproveitou um cigarrinho, vendo as mulatas passarem. Era fino, pensava, ruivas eram para os fracos, ele gostava mesmo da pegada da porta bandeira.

Pegou os trocados do bolso, foi ao boteco. Pediu uma pinga. Tomou num gole e pediu o choro, estalou os dedos no ar, dizendo com o gesto que era das boas. Saiu do bar e atravessou a rua aos ponta pés sem saber de onde vinham., quando chegou a calçada. Caiu de joelhos e viu as mulatas pararem, as ruivas colocarem as mãos no rosto. Mais um chute, outro, outro, outro alguém toma, toma e toma porrada por tomar o seu lugar...

...

Escutou sirenes. Ganhou outro choro, de dor ao reabrir os olhos. Quieto se lembrou pouco do que aconteceu, uma muvuca de gente dispersa e uma ambulância leva aquele que levou em seu lugar.

Embora quisesse esquecer se lembrou de um rosto, de outro, de um soco, de um chute e de um grito, de dois gritos...escutou a TV, reconheceu a praça, seus amigos, a ambulância de ontem.

E chorou pela terceira vez ao lembrar de alguém gritando:

- Parem! O que vocês estão fazendo?

Soluçou ao se lembrar que foi salvo e pediu uma pinga no bar, apenas para comemorar que alguém se importa...

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Uma indicação - Bolinhos de bebês



Neil Gaiman é sem dúvida um dos meus autores preferidos. Hoje sugiro que vocês leiam o conto "Bolinho de bebês", que está no livro de contos publicado pela Via Lettera, Fumaça e Espelhos com tradução de Claudio Blanc. O livro é excelente, recomendo a leitura.




Bolinhos de bebês
        de Neil Gaiman


Alguns anos atrás, todos os animais foram embora. 
Acordamos uma manhã e eles simplesmente não estavam mais lá. Nem mesmo nos deixaram um bilhete ou disseram adeus. Nunca conseguimos saber ao certo para onde foram.
Sentimos sua falta.
Alguns de nós pensaram que o mundo tinha se acabado, mas não tinha.
Só que não havia mais animais. Não havia gatos ou coelhos, cachorros ou baleias, não havia peixes nos mares, nem pássaros nos céus.
Estávamos sós.
Não sabíamos o que fazer.
Vagueamos por aí, perdidos por um tempo, e então alguém observou que, só porque não tínhamos mais animais, não havia motivo para mudar nossas vidas. Não havia razão para mudar nossa dieta ou parar de testar produtos que podem nos fazer mal.
Afinal de contas, ainda havia os bebés.
Bebês não falam. Mal podem se mexer. O bebê não é uma criatura racional, pensante.
Fizemos bebês.
E os usamos.
Alguns deles, comemos. Carne de bebê é tenra e suculenta.
Esfolamos suas peles e nos enfeitamos com elas. Couro de bebê é macio e confortável.
Alguns deles, usamos em testes.        
Mantínhamos seus olhos abertos com fitas adesivas e pingávamos detergentes e shampoos neles, uma gota de cada vez.
Nós os marcamos e os escaldamos. Nós os queimamos. Nós os prendemos com braçadeiras e plantamos eletrodos em seus cérebros. Enxertamos, congelamos e irradiamos.
Os bebês respiravam nossa fumaça e, na veias dos bebês, fluíam nossos remédios e drogas, até eles pararem de respirar ou até o sangue deles não correr mais.
Era duro, é claro, mas necessário.
Ninguém podia negar isso.
Com a partida dos animais, o que mais podíamos fazer?
Algumas pessoas reclamaram, claro. Mas elas sempre fazem isso.
E tudo voltou ao normal.
Só que...
Ontem, todos os bebês se foram.
Não sabemos para onde. Nem mesmo os vimos partir.
Não sabemos o que vamos fazer sem eles.
Mas pensaremos em algo. Humanos são espertos. É o que nos faz superiores aos animais e aos bebês.
Vamos bolar alguma coisa.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Textos internos 6

Foto do Filme "Conta Comigo"

Deveria, o Homem, estar acostumado com a perda. Isso é o que mais acontece em toda sua vida, desde o nascimento, mesmo esta hora tão maravilhosa é iniciada por uma perda. A da aconchegante proteção que se recebe da mãe, e ela é feita de maneira abrupta, se é jogado do espaço quentinho e gostoso para um lugar barulhento e posso dizer um pouco complicado. Se não bastasse isso, ainda cortam o tal do cordão que ainda o une a mãe. Pronto. Já era, está declarada a estação das perdas.

A cada segundo que passa se perde algo,  seja um dente, um pouco do cabelo, sexo casuais até coisas simples como uma inspiração genial, amores,  uma palavra certa para um texto, juventude,  a mãe, si mesmo e a vida em si.

Estes dias estava mudando de canal e estava passando o filme “Stand By me” (Conta Comigo), antigo já, lá da década de 80, como de costume não consegui mudar de canal, coisa que normalmente me acontece quando vejo filmes que remetem a minha infância. Pois bem, além do filme inteiro, e da descoberta que o Will Wheaton do atual Big Bang Theory está no filme o que me chamou a atenção, foi uma frase, que diz mais ou menos assim: “ Muitas vezes a vida passa muito rápido e grandes amigos acabam passando em nas nossas vidas como garçons e que os nossos melhores amigos são aqueles que tivemos quando tínhamos 12 anos.”

Confesso que realmente os amigos que tive aos 12 são inesquecíveis ainda mais aqueles que estão comigo até hoje. Mas, os que conheci aos 16 não são menos importantes. Do mesmo jeito que aqueles que conheci aos 25, são extremamente importantes no meu dia a dia. E espero que continue assim aos 40, 50 e quem sabe mais pra frente.

Com relação aos amigos que passam como “garçons” certa vez li por ai que as pessoas que passam pela minha vida, pela sua vida mesmo que seja por 2 minutos e trocam algumas palavras com você fazem parte da sua árvore da vida, como se cada pessoa que você conhece fosse um galho de sua grande árvore. Seja para esta ou para outras tantas vidas que você teve ou venha ter (mesmo você acreditando nisso ou não).

Obviamente que existe também o lado prático das coisas que nos mostra que muitos deles se afastam por coisas da vida.

Eu sou romântico demais para sofrer com o mundo e romântico de menos para conseguir mudar alguma coisa, de qualquer forma, apenas colaboro com a minha parte. E esta parte me cabe sentir e muito a partida daqueles que amo por doença, por acidente, nestes casos a saudade só aumenta, já aqueles que perdi por meia dúzia de palavras mal trocadas ou por distâncias criadas pela vida sinto saudade e tristeza por não caminharmos juntos a metade do caminho para nos reaproximarmos.

Bato na tecla de que o maior objetivo do Homem está nas coisas mais simples, basta ver a felicidade de um casal que se ama por mais de 50 anos ao se reencontrarem no amanhecer do dia ou a felicidade de um jovem casal ao ver seu filho todo sujo por ter nascido a poucos segundos.

Sim, somos complexos demais, contraditórios demais, sonhadores demais e muitas vezes só isso.

Já disse que sou romântico? Talvez por isso sinto tanto as perdas daqueles que de alguma maneira amo...

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Dos Mendigos



A mão estava suja, de uma sujeira que não sai em um banho só. Nem com aqueles que se faz com tijolos raspando até sair sangue como diria meu avô. A mão pegou um tomate lindo daquela caixa de fim feira. Percebi então que olhos dele pararam nos meus e sem desviar atenção com convicção mordeu o fruto e deixou escorrer o caldo pelo queixo e pescoço. Não menos limpos que sua mão.
Algo me chamou atenção naquela convicção e no prazer daquela mordida e sem perceber salivei de tanta água na boca.
Só me dei conta que não foi só para mim quando vi o braço estendido me oferendo um pedaço. Sem saber como reagir olhei para o lado e para outro e me dei conta que estávamos sozinhos, eu, ele e o fim da feira.
Neguei, claro. Ele insistiu. Salivei. E na terceira vez nem cristo negaria e mesmo sem acreditar no que fazia, aceitei. Mordi e enquanto mordia, vi de perto aqueles olhos se desviarem como se reprovasse a mordida. Agradeci e ameacei partir, não consegui. Ficamos parados por alguns segundos nos olhando.
Não aguentei e perguntei o porquê da reprovação enquanto mais caldo escorria por seu pescoço. Mais uma vez aqueles olhos me encararam e tive a certeza que eles não eram estranhos.
Se aproximou, o cheiro não era bom, definitivamente nada bom. Percebi que só restavam alguns dentes quando sorriu. Um sorriso mesmo assim encantador e não menos conhecido.
Se voltou para a caixa e procurou outro tomate, achou. Limpou. Ou mais sujou. Estendeu o braço, o olhar e o sorriso em minha direção. Esperou. Reparei o jeito que me oferecia. Aquele jeito...
Peguei, mordi, dessa vez mordi e senti o caldo escorrer até chegar ao meu peito.
Ele sorriu para mim e comigo com uma linda satisfação que me era familiar.
Sentamos na calçada, me sentia tão bem, podia ficar ali por horas. Sem dizer uma única palavra.
Ele não. Se levantou, esfregou as mãos, encolheu os ombros...
Pensei que ele faria uma reverência, não fez. Apenas me olhou e partiu.
Fiquei ali. E lembrei das lições de vida que meu pai me deu antes de partir. Lembrei que ele não me dizia uma única palavra. Me aplicava sermão com aqueles olhos...
E se quem amamos morre e reencarna em mendigos?

domingo, 1 de janeiro de 2012

Feliz Fim do Mundo Pra você!


Ele não era objetivo.

Final de ano era algo quase insuportável para um cara tímido como ele, todas aquelas festas para ir, era empresa, faculdade, família. Muitas pessoas celebrando, expondo suas emoções ao extremo, tudo para mais uma noite como todas. Exceto pelo fato de ser fim de ano. Enfim, mesmo pensando que as pessoas que ele iria encontrar ou não falaram com ele o ano todo ou não sabiam quem era ele. Lá ia ele participar das festividades. Pelo menos, a bebida era de graça.

Ele era perito em arrumar um cantinho e lá ficar com o seu copinho com alguma coisa dentro. Esboçava um sorriso aqui e outro ali. Com o passar das horas e dos copos, ele até tentava mexer o pé uns 5 centímetros acompanhando a música que tocava.

Lá pelas duas da manhã, sempre tinha a mina bêbada que encostava para falar com ele. Ótimo pensava ele, depois de dizer que trabalhava na contabilidade pela terceira vez. Ela não entendia porque sempre lá pelas três todas as mulheres tiravam o sapato para dançar se apoiando nele quase que pedindo para que olhasse o seus decotes, enfim era de praxe e ele já tinha se acostumado, olhava e admirava fazer o quê, ele também era filho de deus, se é que deus existe.

Depois da visão sempre um sorriso safado vinha ao seu rosto e ele pedia o telefone da garota. Bingo. Ela dava. Mais um para a coleção.

No dia seguinte depois de exitar umas quinze vezes, ligava e como de costume, nada, niente, necas de pitibirabas. Mais uma vez não dava certo, elas não se lembravam dele. Mesmo ele se lembrando muito bem.

Ele estava cansado de tudo isso, sempre a mesma coisa. Decidiu pela vigésima vez que mudaria e seria naquele dia, na festa de amigo secreto dos amigos da faculdade.

Já disse que ele era perito em arrumar um cantinho e lá ficar com o seu copinho com alguma coisa dentro? Já. Ok, obrigado. Então lá foi ele para o seu lugar característico, dessa vez foi um copo atrás do outro, e quando se deu conta lá estava ela ao seu lado, ela o vestidinho curto, bom pensou ele, lá vou eu de novo...
Duas, três da manhã e ela não tirava o sapato. Pensou então que não teria peitinho aquela noite. Lamentou. Ela interrompeu finalmente o silêncio e perguntou se ele não era ele. Ele até assustou por ela saber seu nome. Sorriu e logo se fechou. Mais alguns minutos para ele puxar um novo assunto e assim foi que a conversa rolou aos trancos. Depois de trocarem meia dúzia de palavras e ele decidiu pedir o telefone, ela deu...

Ele se mostrou educado e se ofereceu para pegar uma bebida, ela aceitou. E partiu para pegar algo mais forte. No caminho foi interrompido pelo...não lembrou o nome, que dizia empolgado que faltava pouco para o fim do mundo segundo o calendário Maia, gritava: - Amanhã, amanhã o mundo acaba...Ele se desculpou e saiu da conversa do maluco. Pegou a bebida e voltou.

Incrível ela estava lá. E ainda o recebeu com um sorriso, algo de muito estranho estava acontecendo, mas ele já não se importava, engrenou uma outra conversa e no meio dela viu que a festa estava acabando. Merda, logo agora pensou alto. Ela riu e se despediu. Quando ia saindo ele perguntou se ele ligasse ela se lembraria dele. Ela riu e pediu o telefone dele caso ele não ligasse, dizendo que mesmo que o mundo acabasse ela ligaria de volta. Ele deu.

Dia seguinte, acordou tarde com a ressaca pós festa. Tomou o café com o sorriso de orelha a orelha. E decidiu ligar, buscou o celular e não achava em lugar nenhum. Como não tinha telefone em casa não podia nem ligar para ele mesmo. Pensou que devia ter perdido no caminho de volta e o problema era que lá estava toda a sua agenda. Revirou a casa. Nada. Mais uma vez se deu mal. Escutou barulhos, gritos, ligou a TV e descobriu o improvável, vários acidentes em inúmeros lugares, era Tsunami aqui outro ali, vulcões... viu que as pessoas estavam nas ruas desesperadas....Pensou na sua mãe...e que morreria sem ter conquistado nada. Se trocou e disse que não veria o fim do mundo da sua casa. Quando ia fechando a porta escutou o celular tocar.

- Mãe?

- Não. Sou eu, lembra? Feliz Fim do Mundo pra você, viu eu liguei...

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Existem tantos bons escritores que nem...


Mesmo tendo tantos meios para se comunicar, cada dia que passa vale menos ler algumas toneladas de coisas que temos no Facebook, Twitter e outros.
Comunicar é algo raro. Triste? Sem dúvida. Agora, eu ainda acredito no verso “sobre todo creo que no todo está perdido” da música “Al otro lado del río” de Jorge Drexler e é por esta crença que valorizo o trabalho árduo feito por alguns que hoje cito aqui. Também deixo claro a vontade de conhecer tantos outros que sei que estão por aí.
Nesta minha coluna de hoje aqui no Texto de Garagem, eu quero deixar algumas indicações de blogs e escritores que li este ano.

Vale sempre dar uma passada no Bule e acompanhar os textos de Rogers SilvaGeraldo LimaMarcia BarbieriRicardo NovaisRodrigo Novaes de Almeida e tantos outros colaboradores que são publicados por lá.
Outro blog que você pode passar tranquilamente é o Blog do Claudio Parreira.
Tem também o Textos Imperdoáveis da Munique Alvin Duarte.
E também recomendo uma visita ao Jame Vu de Homero Gomes.
E tem o Digestivo Cultural, já conhece?

Se puderem, façam uma visita nestes lugares e tirem as suas conclusões. Vejam quanta gente boa existe por aí.


Existem tantos bons escritores que nem a vã internet pode explicar.

domingo, 13 de novembro de 2011

A Consulta





Ele queria mudar de vida e nada como uma segunda feira para começar as novas mudanças.

No fim de semana nenhum cigarro. Recorde. Lembrou do gosto do alface e até arriscou a fazer um arroz. Se sentia bem.

Na sexta tomou o último café, ali naquela vendinha perto do ponto. Sentiu um pouco de dor de canto quando andava. Corria. Depois que saiu da consulta.
Na consulta... isso fica para depois.
Antes de chegar para a tal consulta, encontrou com a Mariana. Estava linda, mais até que na época do colégio. Quase que ela não o reconheceu. Estragou um pouco o reencontro, é claro. Mas, simpatia nele não faltava. Ela até disse que o adicionaria no facebook. Lucro.
Em casa enquanto se trocava, via a tv aquelas notícias da manhã. Policia no morro daqui, corrupção dali, Corinthians líder. Político com slogans novos e blá blá blá.
Ao se levantar da cama acendeu o cigarro. Ligou o computador. Sim, PC. Olhou o e-mail, lembrou da consulta e tomou um café.

A consulta, deixava ele nervoso. Ainda teve que esperar. Na “sala de espera” com a cortina branca na janela e parede pintada de vermelho, o que dava um clima estranho e abafado, ainda mais com toda aquela fumaça de vela e de cigarro de palha. Ao lado dele um velha, pelo menos foi o que ele pensou, já que a mulher parecia ter uns cento e cinquenta anos. Tentou puxar conversa, perguntou se a criança que ela carregava era seu neto. Seca, disse - tatara. E foi só.
Chamaram ele pelo nome. Levantou e foi.
A benzedeira, parecia até mais velha que a outra, tinha até pouco cabelo.
Perguntou como estava a sua vó. Disse que morreu. Depois perguntou da mãe. Disse que morreu. Se ele tinha filhos. Riu e balançou a cabeça nem que sim nem que não.
A benzedeira desembestou a rezar. Daí ele se lembrou porque não tinha voltado ali desde criança. Era a vontade de rir nessas horas que o tinha impedido.
Ela parou de rezar. Olhou bem sério nos olhos dele e disse:
...
Ele então, finalmente decidiu mudar de vida.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Karliana - Um pequeno folhetim - Capítulo Final



Da onírica realidade ás lágrimas de chuva.



- Tenho que informar uma coisa crianças, o gatinho não vai ficar bom, ele está morrendo e provavelmente morrerá hoje, isso depois de viver comigo por muitos e muitos anos.
- Mas ele não pode morrer! É só ele tomar um remédio que ele fica bom... – disse a menina.
- Quisera eu que fosse assim, mas dessa vez infelizmente não será. Existem momentos que se deve enfrentar as dificuldades em nossas vidas, e a morte, a perda de quem gostamos muito, de quem amamos, faz parte deste aprendizado. O importante é como sobrevivemos a essas perdas.
- A senhora está assustando a gente. - disse a menina começando a chorar.
- Desculpe pequena, não quero assustar vocês, me desculpe. Só não quero que vocês pensem que o gatinho ficará bem, já que ele não vai ficar. Enfrentar a realidade...
- E se eu der as minhas formigas mágicas para o gatinho? Será que ele vai ficar bem? – Perguntou o menino.
- Você é muito esperto, realmente bondoso meu querido, tem a pureza e a simplicidade, que não deveríamos perder. Agora, é isso que você quer fazer? Você quer ficar sem as suas formigas mágicas para salvar a vida de um gatinho?
- Se isso for ajudar, eu quero! Não digo que não ficarei triste, mas eu quero tentar, eu ainda terei tempo na minha vida para encontrar outras coisas mágicas.
De repente, Gatoso dá um grande suspiro e aperta forte seus olhos e os abre novamente. O garoto abre o pote e as formigas começam a sair. Gatoso olha para todos, como se gastasse as últimas energias estica as patinhas, segura as almofada em sua pequena boca e afofa a almofada que ele dormiu a vida inteira, se aninha, olha mais uma vez para a senhora, abaixa a cabeça em cima das suas patinhas e fecha os olhos uma última vez, no momento que as formigas chegam em seu focinho.
O silêncio só é quebrado pelas tentativas de conter o choro da menina.
A senhora vai até o gato e tenta acordá-lo, sem resultado. Pega-o no colo mesmo com algumas formigas andando sobre ele. Aperta o seu amigo em seu o peito e com um olhar triste se volta para as crianças.
A garota chora, o pequeno não entende.
A mulher com cuidado coloca Gatoso em sua almofada, abraça as crianças e diz:
- Sintam, vivam e encarem de maneira positiva as perdas, chorem o quanto precisarem, mas façam disso algo positivo, um aprendizado na vida de vocês, cuidem-se. Quanto a você meu pequeno herói, saiba que você fez uma coisa linda hoje, dando as suas formigas ao Gatoso.
- Mas, não adiantou...
- Uma atitude tem impacto em mais coisas do que podemos imaginar, ainda mais quando fazemos com fé, e quando se acredita que fizemos a coisa que era necessária.
Agora vocês precisam ir embora. Mas, saibam, que o que aconteceu aqui hoje daqui um tempo será  apenas uma memória. Uma memória parecida com um sonho, daqueles difícil de se lembrar.
O menino dá um abraço e um beijo na senhora, pega sua amiga que chora sem parar e saem da casa.


Quando eles já estavam um pouco a frente no caminho de volta na trilha dos antepassados, o garota segura com mais força a mão do seu amigo, olha para trás, manda um beijo para senhora que os observava quase fechando a porta com um sorriso no rosto.


Depois que eles sumiram no horizonte, ela fechou a porta, olhou para sua casa, viu as formigas mágicas carregando o seu amigo Gatoso, que ela viu morrer 7 vezes, sendo que algumas foram em suas mãos para tentar chorar, tentativas em vão.
Foi até sua cama sentou, lembrou das crianças que sempre quis ter como amigos desde pequena e sentiu seu corpo se inundar de uma felicidade. No começo ficou assustada, a respiração acelerou, olhou novamente para o seu gatinho e o viu sendo carregado pelas formigas, e atrás um cortejo feito por suas velhas amigas joaninhas, algumas desviaram o caminho em sua direção. Quando se deu conta, ela já estava deitada em sua cama, uma das joaninhas subiu no seu rosto e foi como se as duas se encarassem, foi assim que a senhora que se chamou Karliana percebeu que elas vieram buscá- la. Sorriu. E quando a felicidade foi plena, soltou a sua primeira e única lágrima na vida, e morreu, feliz por ter sentido que amou intensamente coisas boas e nunca deixou de acreditar.


Na trilha , começa chover, a menina começa a correr. O menino para, levanta o rosto, deixa a chuva bater e no que seria um grito de felicidade vem um sorriso de satisfação e um olhar de quem acredita.




Naquele dia choveu e choveu na vila.


Fim

domingo, 9 de outubro de 2011

Karliana - Um pequeno folhetim - Capítulo 3

Da cruel realidade às lágrimas secas.




Gatoso estava olhando pela janela observando sua amiga quase que com um sorriso no rosto, aquele sorriso que só os gatos podem dar. Só que não demorou muito e o sorriso foi desaparecendo e ele se agitou, ficou cada vez mais arisco, a medida em que um grupo de garotos se aproximava dela.


- Olhem! Lá vai a menina das joaninhas mágicas, peguem ela! Onde você está indo garota-joaninha?
- Eu não sou a garota joaninha, apenas respeito e cuido delas.
- Garota-joaninha! Garota-joaninha! Garota-joaninha! - cantavam todos
- Me diz uma coisa, se elas são mágicas você não precisa cuidar delas, ninguém vai fazer nenhum tipo de mal pra elas, elas sabem se cuidar.
- Acho que você não entende, independentemente de serem mágicas, elas precisam de mim.
- Não, elas não precisam de você. Elas pertencem à natureza.
- Eu sei, é justamente por isso que eu preciso proteger.
- Você não entendeu, né? Elas não são mágicas. São só joaninhas e se elas morrerem é porque elas precisavam morrer. Quer saber, elas sabem se cuidar sozinhas, me dê esse pote!
- Não. Você não entende, eu não posso deixar você fazer mal pra elas.
- Ah não...
- Por que é tão dificil você acreditar? Você não precisa fazer isso, só pra mostrar que você é bom para os seus amigos idiotas.
Escuta-se uma risada.
- Agora você passou dos limites!
- É só a verdade...
- Não zoe comigo e saia daqui. – Tomando o pote da mão dela.
- Por favor não faça isso!
- Agora você vai ver se essas joaninhas são mágicas, porque se são mágicas elas vão escapar do rio – Abrindo o pote para jogá-las no rio.
- Não! - correndo na direção do garoto.
- Nadem joaninhas! Nadem joaninhas! - soltando uma gargalhada.
Uma joaninha pulou e caiu no ombro da menina e a olhou até ser jogada longe por outro menino.
- Não pense que estamos lhe fazendo mal garota, estamos te ajudando a crescer e esquecer essa babaquice de joaninhas mágicas. Você viu que de mágica elas não tinham nada, senão teriam feito alguma coisa. Mágica não existe!
Chorando a menina grita para ela mesma:
- A mágica não está só em fazer coisas e sim em respeitar, dividir, pois só assim se pode sentir, acreditar.
- Pare de chorar e resmungar! Agora você vai encarar o mundo de outra forma, da maneira que ele é. Sem magia!

Continua

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Karliana - Um pequeno folhetim - Capítulo 2


Das perdas, crenças e certezas






Numa manhã alguns bons anos atrás


- Gatoso, você sabe como você é importante pra mim, não sabe? De todas as coisas que faço todos os dias não tem uma que eu não pense em você, a não ser estudar que a mamãe me pediu para me concentrar nos estudos, que é uma coisa muito importante. Você é o meu melhor amigo, por isso que eu te amo tanto. – abraçando o gatinho.
- Filha! Estamos todos prontos, vamos? Temos que dar o nosso último adeus para a vovó...
- Ai eu não quero ver a vovó, ela não está mais por aqui é agora apenas um corpo frio... Eu preciso ser forte pela mamãe... Quem vai me ajudar a ser forte? Gatoso, se esfrega insistentemente nas pernas da menina.
- Darei o seu beijo na vovó, mesmo sabendo que ela não vai entender e nem sentir...e obrigado por sempre estar comigo.
- Mãe, porque você está chorando tanto?
- Nunca mais falarei com a minha mãe...nunca mais ninguém vai me entender só de olhar e me ensinar a acreditar como ela fez comigo...Agora tenho que fazer o que ela ensinou para que ela continue viva...
- Me dá um abraço. -  disse a filha sem derramar uma lágrima e levantando, se aninhando no meio dos braços da mãe.


De volta a trilha com a senhora acariciando o triste gatinho:
- Era melhor se não percebessemos depois de tantos anos a falta que as pessoas que amamos fazem e que não soubessemos que a maior certeza que temos na vida é que ninguém é eterno mesmo aqueles que tem 7 vidas...- disse a mulher numa voz muito baixa quase que pensando apenas.
- Senhora, não entendi – disse a menina
- Desculpe querida.
- Não fique triste!
- Eu sei meu anjo, não é tristeza, o problema são a s certezas que não podemos remediar.
- Cuidaremos do gato e ele vai melhorar.
- O que você tem nessa mochila, menino?
- Minha coleção de formigas mágicas.
- Nossa! Isso sim é algo bom para conversarmos, o que elas fazem?
- Eu já disse elas são mágicas....
- Isso a senhora escutou, ela quer saber o que elas fazem, seja educado.
Colocando a mão na frente da boca e falando baixinho:
- Se eu soubesse não seria mágica, não é?


Continua ...

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Karliana - Um pequeno folhetim - Capítulo 1

Da trilha das formigas na estrada dos antepassados




Era uma vez um dia quente, bem quente, para dizer a verdade alguns galhos à margem do rio já estavam bem secos. Pois não chovia na região há muitos anos para desespero dos adultos, mas... o mais incrível é que as crianças sempre encontram as mais malucas e diversas funções para pedaços de madeira, pedras e pequenas coisinhas encontradas num caminho.

Naquela manhã não foi diferente, uma pequena menininha com um vestido florido, estava passando pela trilha criada há séculos por seus antepassados, caçando o que fazer e encontrou perto do poço da cidade... o mesmo poço em que todos os cidadãos vinham buscar água para as suas mais variadas tarefas....o que ela encontrou e observou era um pequeno caminho de formigas. Primeiro ela observou de longe, depois foi se aproximando e então decidiu interferir no caminho, quando:

- Não! - Sussurrou uma voz vindo de uma grande jabuticabeira.

Era a voz de um menino sem camisa que estava escondido atrás de uma roda de madeira, a menininha recuou, pediu desculpas e perguntou o que ele estava fazendo. Depois que explicou que ele tinha preparado uma armadilha muito bem feita para colocar essas formigas dentro de um pote, eles se tornaram grandes amigos e decidiram andar juntos até o fim da trilha dos antepassados. 

No final desta trilha encontraram um gato deitado. Na verdade, parecia estar doente em frente a uma porta velha. Chamaram o bicho:

- Pis pis pis pis. 

Primeiro ele e depois ela, e nada adiantou. Então puxaram o tapete e o gato não se mexeu. O gato não reagiu a nada, até o momento que colocaram as mãozinhas em seu pelo branco e limpo e perceberam que ele estava vivo e que talvez precisasse de ajuda o quanto antes. Por algum motivo eles souberam que não daria tempo para levar o gato para casa deles lá na vila, do mesmo jeito que sabiam que era errado importunar a pessoa estranha que morava naquela casa.

Eles se olharam por menos tempo que uma fração de segundo e sem perceber, nem escutar, a porta já estava aberta e no espaço que ela ocupava, estava em pé uma mulher vestida com uma túnica azul bebê e uma espécie de saia-calça branca. Ao mesmo tempo em que seu cabelo era curto e branco, tinha um aspecto mais jovial ainda com um olhar doce, que foi interrompido:

- O gato está doente senhora...digo moça. - disse nervoso o garoto.
- Calma! Olá, bom dia, estávamos caminhando e sem querer acabamos chegando aqui na sua
porta. - complementou a garota.
- E encontraram o gato? - respondeu a mulher.
- Ele vai morrer se não cuidarmos dele. - retrucou a garota
- Claro que vai morrer e esta é a ultima vez. - disse a mulher pegando o gato que já pulava para o seu colo.
- Última? - estranhou a menina.
- Sim. - Disse a mulher com um olhar de certeza, acariciando o triste gatinho.

Continua ...

domingo, 4 de setembro de 2011

Ai essas duas...



Não sei se você já teve esta dúvida em algum momento, apresentarei os motivos:

Ela é assim meio indie, meio tradicional, meio louca, ela é tão ela...
Ela também é tão ela, só que mais séria, um pouco mais tradicional, mas não menos louca...

A primeira já me mostrou coisas antigas, me contou histórias incríveis e me mostrou filmes fantásticos...
A segunda eu tive inúmeras conversas, falamos de teatro e de viagens, de possibilidades...

Com a primeira eu vivo o momento, tomo cerveja, danço black music, com a segunda curto Bossa Nova e até fico com vontade de tomar uísque, as vezes fico sem vontade...

Uma vejo mais durante o dia, a outra mais de noite, é meio aquela coisa do Feitiço de Áquila...

O problema são as madrugadas, que as duas mostram todos encantos, todos os carinhos, todos os gostos, todas as músicas nas mais diversas línguas e que admito as duas são mais que fluentes.

O fato é que confesso que não sei quem escolher se é a Augusta ou a Paulista, por isso todo dia que fico nessa esquina seja dia, ou madrugada, eu reverencio e me sinto muito bem, que me perdoe Caetano esta é a esquina que mais gosto. E como bom paulistano vou me dividir e ter um caso de amor com as duas.



domingo, 28 de agosto de 2011

Mulheres sem medo



Ela acordou bem, tinha mais um dia pela frente. Um banho para animar. Um bom café da manhã. Lá fora o típico calor do inverno paulistano. Uma regata para sair. Não. Sim. Espelho. No fim a mesma regata. A saia preferida. O cabelo ainda molhado do banho. Um batom para dar uma corzinha no rosto. Uma última mordida na torrada, uma última golada no café. Uma caneca com marca de batom. Uma última olhada no espelho. Fones para escutar música nas mãos e sai. Volta, pega os óculos e finalmente vai de vez.
Dia lindo.
Ponto de ônibus lotado. Não desanima. Desdenha, é rotina. Coloca os óculos.
Curte a música dentro do ônibus. Vaga um lugar, senta. Um homem senta do lado, digo se esparrama no lugar com as pernas abertas. Ela jurou não se estressar, levanta-se para não se injuriar. Não olha para trás para evitar xingar. A música está boa e tem o cara de camiseta branca. Tinha. Ele desce. Pena.
Chega a estação de metrô. Vai com a muvuca catraca a dentro. Passa o primeiro trem. O segundo, quem sabe consegue entrar no próximo. Um empurrão aqui, outro ali, sem problemas. Lembra que jurou não se estressar.
Entra no vagão. Cotovelos, cabelos, bolsas, livros, revistas, música alta, nenhuma novidade. Lembra é a rotina,
Que acaba em um segundo, quando alguém segura o seu braço, tira a música arrancando o fone e diz que se ela fizer alguma coisa ou esboçar gritar que machucará o seu rosto. A saia preferida é invadida, o corpo ultrajado, violentado, não consegue fazer nada, está paralisada. Evita olhar, mas não consegue evitar de sentir. Enjoo. Ninguém faz nada, a próxima estação não chega nunca, alguém percebe e traz com a tentativa de ajuda a vergonha para o pensamento dela, o homem deixa a saia levantada e o vagão. Foge.
Ela arruma a saia e se vê rodeada pela vergonha, o medo e tudo e todo turbilhão de pensamentos e não olha para o rosto de quem a ajuda.
O nojo explode junto com o choro de pânico e o vômito como se quisesse se livrar de toda a invasão sofrida.
Não foi a primeira, nem última.Será esquecida, mas nunca se esquecerá. Desconfiará de cada olhar que receber, mesmo que seja do cara de camiseta branca.

domingo, 21 de agosto de 2011

Should I stay or should I go now?



Não há folgas, o trabalho para quem é honesto é constante.
O ritmo é cansativo, mas o trabalho te recompensa.
Você ganha um salário no final do mês. Você paga as suas contas. Você se dá o direito em se divertir com sua família ou com amigos. Você decide ir a um restaurante, afinal de contas, é direito de todo cidadão se divertir.
Você escolhe aquele restaurante próximo a sua casa, para não ser tão perigoso o retorno e você decide ir cedo. Seus amigos concordam. A noite é tranquila, agradável, a cerveja ótima, as porções nem se fala.
Então o seu amigo te mostra que finalmente depois de tanto economizar ele conseguiu comprar aquele tablet. Depois vocês falam sobre futebol e algumas coisas corriqueiras. Isso leva mais ou menos quarenta minutos do encontro, depois a coisa toda muda.
Se fala de prefeito, de meninas que roubam lojas, de atropelamentos, de inúmeras outras coisas e alguém comenta que quer muito passar um tempo fora de São Paulo, fora do Brasil.
Este alguém não aguenta mais ficar aqui e conviver, sobreviver com o estresse que São Paulo lhe causa e quando ele iria falar para onde pretende ir....
Três ou quatro homens armados entram e começam a roubar os clientes.Levam tudo que podem, jóias, celulares, medos, sonhos, raivas e tablets.
A ação é rápida bem mais rápida que um mês ou anos de trabalho suado, o arrastão é feito em cerca de três minutos.
Passado o susto e depois de perceberem que ainda estão vivos e supostamente bem e de que não foi a primeira e nem será a última vez que este tipo de coisa vai acontecer, o que fica na mesa é a tristeza por tanto gostar de São Paulo e a dúvida se se deve ficar na cidade por isso e outros issos ou ir para longe?

*Should I stay or should I go now?
If I go there will be trouble.
An” if I stay it will be double.


*Versos da música "Should I stay or should I go ?" do The Clash

domingo, 7 de agosto de 2011

É muita...


É muita ...

Muitos por escolha e a maioria por falta de opção precisam utilizar do transporte público em suas cidades. Eu por exemplo, utilizo do transporte público da cidade com custo de vida mais caro da America Latina. Nesta minha cidade, o valor da passagem do ônibus é R$3. E ai de quem reclamar, neste preço, já vem embutido, ônibos lotado (Como falei na coluna Lei da Física, neste mesmo blog), cobrador que dorme, pessoas mal-educadas, estressadas, bandidos, chicletes nos bancos já quebrados, pichações, abuso e falta de respeito com as mulheres, restos de comida, que colaboram e muito para o que vem subindo neste ranking, que são as baratas, isso, aquelas baratinhas pequenininhas que correm de uma lado para outro na borracha do vidro, no chão do ônibus e até mesmo no painel que acende indicando que alguém descerá na próxima parada. Com tanta coisa embutida neste valor da passagem eu vou reclamar? Não, claro que não, até diversão eu tenho, pago o ônibus e tenho o circo das baratas para me divertir.

É muita...

Sabe outra coisa que não pode mais acontecer por aqui? Não se pode abraçar um amigo. Não pode, deixa eu te contar se você fizer isso você é homossexual. Eu, com certeza sou julgado, pois costumo e continuarei a cumprimentar meus amigos com um abraço e um beijo no rosto. 
Agora devido as circunstâncias do momento, como paulistano que sou gostaria de dizer aos desavisados que não conhecem a cidade mais uma coisa, domingo que vem é dia dos pais, então por favor, se você estiver por aqui e vai almoçar com o seu pai, não o abrace no restaurante ou em qualquer lugar público, não faça isso, se o fizer e deve fazer, o faça com precaução, faça em local seguro e cercado de quem você conhece. Estou exagerando? Veja isso.
Também peço que você observe bem se não tem nenhum daqueles vereadores (Cruzados dos bons modos) da Câmara de São Paulo que votaram pelo Dia do Orgulho Hétero por perto.

Você precisa concordar comigo:

É muita... é muita... coisa errada para uma cidade só.

domingo, 24 de julho de 2011

Ei Futebol, cadê você?


Amanhã vai ser outro dia.

Amanhã vai ser outro dia.

Amanhã vai ser outro dia.

Hoje você é quem manda falou, tá falado não tem discussão. Não.

Eu nunca tinha gritado gol para o Paraguai e gritei duas vezes.
Eu nunca tinha gritado gol para o Equador e gritei.
Não torci mesmo para a seleção do tal Ricardo Teixeira. Torci contra.
É inadmissível uma pessoa dar entrevista onde diz que faz o que quiser e que ninguém o pega. Menosprezar tudo e todos como se fosse inatingível.
Menosprezar a paixão que o torcedor brasileiro tem pelo futebol e tinha até pouco tempo atrás pela sua seleção.
Eu sinto saudade das ruas vazias em dias de jogos, dos fogos em comemoração, dos gritos de gol e dos gols.
Você senhor Ricardo Teixeira inventou de inventar toda esta escuridão no futebol brasileiro e definitivamente, sinceramente não sei se vai merecer o perdão.
O que tenho a dizer é que apesar de você amanhã há de ser outro dia.

E eu espero que o quanto antes o nosso futebol volte a ser poesia nos gramados, volte a ser a referência de arte no futebol.
Quero sentir o grito contido dos gols que virão de uma nova seleção.
Para isso no meu ponto de vista só existe um jeito. Tirar do poder essa corja de pessoas que comandam o futebol. Tirar do poder essa corja de pessoas que só ganham fortunas as custas do futebol. Tirar do poder essa corja que não ama e não respeita o futebol
Tirar do poder o senhor, senhor Ricardo Teixeira.
Por isso que eu digo Apesar de você amanhã há de ser outro dia.

E eu não vejo a hora que este dia chegue e que eu queira junto com amigos ver o jogo da seleção e que neste dia não tenha trânsito nas ruas e que neste caminho eu veja as ruas pintadas de verde e amarelo, com bandeiras da seleção nas janelas das casas.
Quando este dia chegar senhor Ricardo Teixeira, o senhor e a tal corja, você(s) vai(vão) amargar vendo o dia raiar e esse dia há de vir, há de vir, porque eu vou morrer de rir.

Pensei em citar vários trechos da entrevista do senhor Ricardo Teixeira a revista Piauí, mas acho melhor não, quem quiser e tiver estômago leia toda a entrevista aqui.
Quis esbanjar poesia, mas também não consegui.
Então termino o texto com:

Apesar de você

Amanhã há de ser outro dia

Você vai se dar mal, etc e tal.

La, laiá, la laiá, la laiá.

Em itálico versos da música "Apesar de você" de Chico Buarque que segue abaixo:

Abraço a vocês que amam o futebol.