domingo, 17 de agosto de 2008

Meet Neil Gaiman


O VARREDOR DE SONHOS

Depois que os sonhos acabam, depois que você acorda e troca um mundo
de loucura e glória pelo trabalho diário, maçante e mundano, iluminado pelo dia,
pelas ruínas das suas fantasias abandonadas, vem o varredor de sonhos.
Quem sabe o que era quando estava vivo? Ou se, a propósito, já esteve
vivo alguma vez? Certamente, ele não responderá suas perguntas. O varredor fala
pouco, com sua voz áspera e lúgubre, e, quando fala, é quase sempre sobre o
tempo e sobre as perspectivas, vitórias e derrotas de certos times esportivos. Ele
despreza todo mundo exceto a si próprio.
Assim que você acorda, ele se aproxima e varre reinos e castelos, anjos e
corujas, montanhas e oceanos. Varre a lascívia, o amor e os amantes, os sábios
que não são borboletas, as flores de carne, o galope dos gamos e o naufrágio do
Lusitânia. Ele varre tudo deixado para trás nos seus sonhos, a vida que você
vestiu, os olhos pelos quais viu, o papel do exame que nunca foi capaz de
encontrar. Um a um, varre-os para longe; a mulher de dentes afiados que os
afunda no seu rosto; as freiras na floresta; o braço morto que fendeu pela tépida
água do banho; os vermes escarlates que rastejavam no seu peito quando você
abriu a camisa.
Ele varrerá tudo — tudo o que você deixou para trás quando acordou. E,
então, queimará o que acumulou, deixando o palco limpo para os seus próximos
sonhos.
Trate-o bem, se você o vir. Seja educado. Não lhe faça perguntas.
Aplauda as vitórias dos seus times, compadeça-se pelas suas derrotas, concorde
com ele sobre o tempo. Dê-lhe o respeito que o varredor acha que lhe é devido.
Pois há pessoas que ele, o varredor de sonhos, com seus cigarros
enrolados à mão e sua tatuagem de dragão, não visita mais.
Você já as viu. Elas têm bocas crispadas e olhos que fitam enquanto
balbuciam, choramingam e se lamuriam. Algumas andam pela cidade vestindo
molambos, seus pertences debaixo dos braços. Outras estão trancadas na
escuridão, em lugares onde não podem causar dano a si mesmos nem aos outros.
Não são loucos, ou melhor, a perda da sua sanidade é o menor dos seus
problemas. É pior do que a loucura. Elas lhe dirão, se você lhes permitir: são
aquelas que vivem, a cada dia, na ruína dos próprios sonhos.
E, se o varredor de sonhos abandonar você, ele nunca mais voltará.

Conto do livro Espelho e Fumaças Contos e Ilusões de Neil Gaiman

A Tradução é de Cláudio Blanc e é uma publicação da Editora Via Lettera

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Prestem atenção na mágica do lápis


Não foi nenhum blefe, Batman Cavaleiro das Trevas foi o melhor filme de super herói do ano ao lado de Homem de Ferro e ponto. Dito isto, foi um dos melhores filmes do ano em qualquer gênero, número e grau. Já tocando no assunto de número, bateu o record de bilheteria em em inúmeros países contando os EUA e cada novo fim de semana alguns outros se quebram.
Quanto a Heath Ledger acertei em cheio, quem fez mesmo o Coringa no Batman de Tim Burton?
Ele fez o trabalho que sempre se esperou vindo de um ator tão capaz e ainda mais com um personagem tão real
Christopher Nolan assumiu e respirou Batman em cada cena, por isso mais um toque de genialidade na direção. Quanto a Christian Bale não precisa dizer muito, ele é o Batman que todos esperavam, o que precisa ser dito é que ele convence e muito como Bruce Wayne, mesmo ainda tendo gostado muito de George Clonney, somente como senhor Wayne. Quanto a Michael Kane e Gary Oldman, grandes atores são o que são por respeitarem seus personagens.
Voltando ao filme, roteiro inteligente para um filme de entretenimento? Isso pode? Se não pode já foi e a bronca vem depois, um roteiro perfeito, atual e pra lá de inteligente, nesse ponto os roteiristas correram um risco, mas um risco pra lá de justo e graças a isso de agora em diante possamos ter melhores filmes de heróis finalmente e assim espero (se alguém tiver me escutando refaçam algumas coisas que fizeram com heróis brilhantes)
Crítica? Sim tenho, eu acredito em Harvey Dent, acho que poderia ser melhor explorado, mesmo tendo sido muito bem explorado (Sacaram o trocadilho politico? Brincadeira) para o propósito do filme.
Enfim, sendo fã, Batman é assim escuro, psicótico, obsessivo e puto da vida e o que é melhor com ótimos vilões. Se você não viu o filme esta esperando o que a fila tá grande.
Antes que me matem por falar mal de Jack Nicholson duas vezes e meu blog ser amaldiçoado por alguns fãs do eterno "Iluminado" cheguei a uma conclusão ele só não vai ser melhor que o Heath Ledger como Coringa, porque não ele não teve um ator a altura do seu talento para ser o herói que ele precisava, no caso Michael Keaton. Mais um mérito para o elenco e produção do novo Batman, o que ficará para a história.