quarta-feira, 8 de junho de 2011

Marcha dos Famintos

Foto Folha de São Paulo


Acaba de nos chegar a informação de que existe uma manifestação na rua da Consolação, vamos saber mais informações com a repórter Sandra Lee.


“Bom dia Ana, até o momento ainda não sabemos ao certo qual é o real motivo da manifestação. Agora, digo que é chocante a imagem que temos nas duas faixas aqui da rua da Consolação, temos cerca de 200 pessoas, entre elas muitas pessoas magras, sujas, doentes. Poderia até mesmo dizer que os moradores de rua e doentes da cidade decidiram fazer uma manifestação, se não fosse por algumas bem vestidas e alimentadas que se encontram no meio deles”


Sandra, acabo de receber a informação que está ocorrendo também uma manifestação próximo ao Centro cultural São Paulo e pelo que recebo de informação, são as mesmas condições. Sandra, Sandra... Bem perdemos o contato com a nossa repórter, em breve novas notícias sobre esta manifestação na rua da Consolação e na rua Vergueiro.

Segundo os meteorologistas, hoje o dia será quente, poderemos atingir os 38 ° na capital paulista e 41° em Ribeirão Preto....O ator João Pedro casará neste fim de semana....mais um acordo bilionário é assinado pelos acionistas da...Voltamos a ter contato com a Sandra. Sandra?


“Oi Ana, a manifestação cresceu bastante a policia aumentou o seu efetivo. Os que estavam na região da rua Vergueiro já se encontraram com os outros manifestantes da rua da Consolação mais interessante é que eles carregam apenas uma folha de caderno, de papel sulfite nas mãos...agora eles pararam na porta do cemitério e começa uma confusão por aqui. A rua já está fechada nos dois sentidos e o transito fica muito complicado. A policia começa a intervir, as pessoas não se mexem, os policiais estão tentando prender algumas pessoas, mas outras ocupam os seus lugares, todos os manifestantes começam a ler alguma coisa na folha que carregavam, vamos escutar:”

Nós que esmolamos comer,
Que suplicamos sentir,
Clamamos saber,
Rogamos acreditar,
Imploramos amar,
Que mendigamos viver...
Avisamos!

Os policias partem para a agressão física, jogam bombas de gás...alguns manifestantes caem e outros continuam....

Não que você seja nosso amigo,
mas quem sabe perceba o tamanho do desastre,
o volume da asneira
que vai acontecer contigo.
Cenas horríveis, cenas horríveis....
Aquele que morre por último
já encomendou a missa de sétimo dia!
Vocês que plantaram a fome,
Prescreveram a doença,
Lecionaram a ignorância,
Que pregaram a descrença,
Impuseram o ódio e
Pariram a morte,
Saibam!
Já que Deus morreu,
O Estado faliu
E a Ciência se esqueceu...
Não tem quem me segure!

Muitos estão bem feridos, sobram poucos manifestantes do inicio e
por incrível que pareça está cada vez chegando mais gente, que assim que chegam assumem o lugar de quem foi preso ou de quem está caído, e não há nenhuma reação agressiva, não sei se por idealismo ou por falta de força. Chega a tropa de choque, está uma tremenda confusão....


Ana... Ana? Aqui virou uma praça de guerra a porta de entrada do cemitério da Consolação e no meio disso eu consegui pegar com um manifestante que está bastante magro e ferido e enquanto pegava a folha ele me disse que o que eles estão lendo é um texto escrito pela Marcha dos Famintos e que termina da seguinte maneira

É o seu olho no meu dente!
Dor com dor se paga.
E sua dívida é extrema
Já acabou a virtude do paciente,
Vê se aprende a ser gente!

Cerca de 200 pessoas foram presas, por volta de 100 foram hospitalizadas e sem revidar nenhum momento....Sandra Lee do cemitério.

O texto em itálico é de Fábio Correia da Silva

domingo, 5 de junho de 2011

Ei EDUCAÇÃO, cadê você?


Educação
s. f.

1. Conjunto de normas pedagógicas tendentes ao desenvolvimento geral do corpo e do espírito.
2. Conhecimento e prática dos usos da gente fina.
3. Instrução, polidez, cortesia.


Educar
v.tr

1. Dar educação.
2. Criar e adestrar (animais)
3. Cultivar (plantas)
v.pron.
4. Adquirir os dotes físicos, morais e intelectuais que dá a educação.


Ana Flávia tem as bochechas mais gostosas do mundo, segundo sua mãe. Ela também tem 6 anos de idade, um uniforme passado em cima da cama e se prepara para o seu segundo dia na escola nova. A professora segundo ela é bonita e muito boazinha com os alunos...

Ele é branquinho, muito bem arrumadinho, é o tesouro da sua mãe. Ele também adora sair correndo quando não pode, morder chinelo e não obedecer ninguém quando passa um carro ou gente no portão. O nome dele é Tobi...

Ela. Ela é só papéis, papéis às pilhas e cafés aos litros. Afinal de contas as provas do 2°bimestres são muito importantes. Ela também é madrugada e solitária e quem coloca todos na cama, filhos e marido...

Amanhece. Os café na mesas e no potinho que está escrito Tobi. O menu é um pouco diferente para cada um, é claro. Porém, o horário de sair é igual.

O sol no rosto apenas realça a alegria rumo à escola. As mãos entrelaçadas todo o momento. A confiança e o cuidado as acompanha e Tobi ao lado. A escola chega e as mãos se soltam e cada uma vai para sua sala.

Na escola Ela é só avental e giz, conhecimento e sorrisos, atenção e cuidado, mãe e paixão pelo que faz.

Bochechas bem rosadas, cadernos impecáveis, uma das mais organizadas carteira da sala, ávida por aprender, preocupada em não decepcionar, amiga e alegre, uma das mais felizes da turma, esta é Ana Flavia.

Espera.Este é Tobi em frente ao portão da escola.

Sinal soa. Intervalo chega, com ele a raiva, o desespero, o julgamento desnecessário, a falta de controle. Tudo isso untado com falta de respeito neste caso representado por uma  Mãe de um aluno.

Ela como sempre sorri pelo corredor.

A Mãe de um aluno passa voando pelo corredor, mas chega atrasada em relação a raiva, esmurra a professora que cai e apanha sem saber o porquê.

Ana Flavia é bochecha pálida, é choro desesperado, e o susto espalha seu material pelo chão.

A tal mãe de aluno sai com com ar de superioridade puxando pelo braço o seu filho orfão de referência, e modelo.

Ela é socorrida. Ana Flavia chega ao seu lado, segura sua mão e com a mãe fica entrelaçada próximo ao chão até a ambulância chegar.

Tobi sentado ainda é espera e também esperança para que elas saiam da escola como sempre.

E eu,  já não me surpreendo com a notícia. Não mais. Apenas sempre, sempre me indigno com a falta de respeito, de bom senso de quem quer que seja que faça uma coisa dessas com uma professora.

Respeito por quem educa é básico tal como água e ar. Todos tivemos e teremos referências na vida. Tenho certeza que em tais momentos, pelo menos em um é, foi, será um professor.

*Texto feito após saber que mais uma professora foi agredida em uma escola.