terça-feira, 8 de junho de 2010

A Preguiça



Ostracismo.
Saiam do meu caminho.
Deixem me passar.
Deixem.

A preguiça.
A preguiça.
A Preguiça.

Insuportável conhecimento.
E sapiência desnecessária.
Infinita cidade.

Camundongos.
Abelhas.
Moscas.
Gatos.
Cachorros.
Pombos.
Baratas.
Espere um pouco esta merece comentário
O bichinho que sofre preconceito será que é porque ela não é branca?
Urubus.
Homem.
Muitos homens.

O meu caminho é sujo.
A minha volta, poluição.
Mesmo assim, adoro o ar que respiro.

Sim, sou uma preguiça, tenho quase dois metros de altura e sou obesa.
E daí?
Vai encarar? Aliás, neste momento estou passando em frente à estação Brigadeiro do metrô, as pessoas não sabem o que está acontecendo, encaram me, desafiam-me, e eu os ignoro.

Chego ao parque Trianon, a polícia e o carro de bombeiro chegam juntos, junto comigo, sinto uma fisgada, acho que me acertaram, o povo vibra, pode ser o fim da preguiça, começo a ficar com sono.
De repente o tempo vira do avesso e volto para zona sul como se eu estivesse no teletransporte do “Jornada nas estrelas”, estou quase chegando em casa, estou com sono, sono... sono ssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssss

terça-feira, 25 de maio de 2010

Textos internos4 Da Perda ou 9

9 anos, pânico era o que sentia, olhava para as pessoas no ônibus como se fosse a ultima vez, pensava que estava indo para morrer, não tinha boas perspectivas, chegando já colocaram numa cama deram uma injeção mais conhecida como anestesia e para piorar as coisas trouxeram a cadeira de rodas.Sentou e tudo começou a ficar confuso, se lembra que tinha uma porta no fundo do corredor...


9 anos e não consigo me lembrar a ultima palavra dita por ela, a ultima conversa...

Esta porta era a sala de cirurgia, recordação lá de dentro não há...

O esforço para lembrar o que inconcientemente nunca esqueci, tráz as memórias de um outro corredor, de uma sala visitada por meses de amortecimento por não saber o que sentir.

Sangrou na saída da cirurgia, desesperou, Muito sangue saia da sua boca.

Mas estava confortado, ela não saiu do seu lado.

Durante o amortecimento e a sala da UTI, uma das coisas que mais me fez falta foi não sentir o cheiro do beijo dela e que ainda me faz falta.

O sangramento era pela falta das amigdalas, elas foram arrancadas pela raíz. Sangrou.

Voltando ao cheiro do beijo e ao calor do carinho que não vou sentir em ninguém. Sangrou também a perda, só que não dei a atenção e parece que secou de tanto sangrar ou de fato não olhei cuidadosamente, dizem que o que os olhos não veem o coração não sente. Sinceramente não sei a razão e confesso que talvez não queira, mas que poderia me ajudar

Calma, agora você vai comer todas as coisas que você quiser, vai crescer vai ficar forte.

Tocou telefone, era por volta das 6 da manhã, me pediram para ir para o hospital, levar uma troca de roupa. A encontrei não mais no corredor da UTI. Mas no subsolo do hospital, estava fria, tanto quanto a plataforma que ela me esperava. Talvez ali tenha realmente colocado minhas emoções em um lugar que esqueci o caminho!

20 anos depois cresci como minha mãe me pediu e 9 anos depois de sua morte ainda sinto falta do seu carinho e do cheiro do seu beijo e ainda não me lembro da ultima conversa. Não me lembro.